Dislexia Adquirida Oficial
por Anna Lou  Olivier (Ana Lourdes de Oliveira)
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Histórico Oficial

Atribui-se a Oswald Berkhan, um médico alemão, a primeira pessoa a identificar a dislexia em 1881, mas o termo "dislexia" foi cunhado em 1887 por um oftalmologista também alemão, Rudolf Berlin. Apesar deste termo ser utilizado na Alemanha desde aquela época, demorou muito tempo para ser utilizado em outros países, especialmente no Brasil, onde, até algumas décadas atrás, ainda se intitulava Cegueira verbal e até hoje há quem defenda apenas a causa hereditária/genética, negando-se a aceitar a evolução das pesquisas não só de Lou de Olivier mas de diversos outros profissionais e pesquisadores no mundo todo, cada qual identificando e definindo a Dislexia de acordo com suas pesquisas e descobertas.

No caso específico da Dislexia Adquirida, esta foi identificada por Lou de Olivier exatamente noventa e oito anos após a primeira detecção do distúrbio atribuída a Berkhan. Aliás, foi em um livro alemão, citando o distúrbio e as suas características que Lou de Olivier percebeu que havia "adquirido" este distúrbio durante o afogamento que sofreu em 1978...

Antes de relatarmos os rumos das pesquisas e descobertas de Lou de Olivier, vamos fazer um resumo das pesquisas que ocorreram entre a primeira identificação do distúrbio em 1881 e o acidente que impulsionou Lou a pesquisar a dislexia.


1896: W. Pringle Morgan descreveu a “Cegueira de Palavra Congenital” publicado em British Medical Journal, relatando caso de um paciente de 14 anos que não conseguia aprender a ler.

Entre 1890 e 1900 diversos artigos sobre dislexia foram publicados em diversos jornais médicos escritos pelo oftalmologista James Hinshelwood. Ele também publicou, em 1917. um livro “a Cegueira de Palavra Congenital” e sugeriu que o maior problema na dislexia era a deficiência na memória visual de palavras e letras.

Lesão cerebral era uma outra causa bastante estudada para a dislexia mas em 1925, Samuel T. Orton escreveu que adislexia não dependia de lesão ou dano cerebralOrton, em parceria com a Psicologa Anna Gillingham, desenvolveu as intervenções educacionais que formaram a base do ensino multisensorial que até hoje são usadas para ensinar crianças disléxicas. 

1951 G. Mahec fez um experimento utilizando seqüência de letras que as crianças com e sem a dislexia leram da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. Percebeu que crianças sem dislexia leram da esquerda para a direita mais facilmente e crianças disléxicas leram na mesma velocidade independente do sentido que liam e 10% dos disléxicos leu com mais facilidade da direita para a esquerda. Isso deu inicio à ideia do hemisfério esquerdo ser maior nos portadores de dislexia. Esta ideia seguiria por muitos anos até que Lou de Olivier elucidou este tema (em 2003) provando que não há lado maior ou menor e sim mais (ou menos) excitado e mais (ou menos) inibido. Olivier comprovou este fato em seu livro "Distúrbios de Aprendizagem/comportamento - Verdades que ninguém publicou" que trouxe à tona muitas pesquisas em TMS e similares que mostraram a incoerência nas afirmações de possíveis hemisférios alterados em tamanho... mas sigamos com o relato:


Nos anos 70 entendeu-se que a consciência fonológica tem um papel importante na dislexia. Em 1979, enquanto Lou de Olivier começava a afirmar sua “Dislexia Adquirida” num afogamento, Galaburda e Kemper relataram suas descobertas depois de observar o cérebro pós-autópsias das pessoas disléxicas. Eles observaram que os centros de línguas nestes indivíduos eram diferentes aos de pessoas sem dislexia. Entenda-se bem que as pesquisas na epoca (nos Estados Unidos) eram em cérebros de pacientes já falecidos.

Agora podemos retornar ao caminho das pesquisas e vivências na prática de Lou de Olivier. Antes porém, citamos que uma busca pelo Google acadêmico fornece uma série de artigos com títulos que remetem à Acquired Dyslexia (artigos oficiais em Inglês e um em Francês) publicados a partir de 1977, porém, lendo os artigos na íntegra percebe-se que os estudos preocuparam-se com a inabilidade de leitura letra por letra, já que os pacientes não conseguiam ler palavras inteiras ou, quando liam, era sempre de forma insatisfatória. As causas que levaram à Dislexia ficam em , nem sequer citam o termo "adquirida" e até hoje as comprovações oficiais são voltadas à Dislexia Adquirida por AVC e outras doenças cerebrais. Lou desde 1978 defendeu a Dislexia causada por acidentes com privação de oxigênio no cérebro (Afogamentos, enforcamentos, anoxia/hipóxia perinatal/neonatal)

Por ter perdido a capacidade de leitura, Lou dependia de alguns amigos que liam para ela todos os livros que podia encontrar sobre psiquiatria e correlatas. Foi num livro alemão, (do qual Lou, infelizmente, não recorda o título), lido por um amigo que tinha fluência no idioma, que Lou verificou os sintomas descrito e teve certeza de ter adquirido o referido distúrbio.

Os principais sintomas eram ausência de memória, incapacidade de leitura, ausência de concentração.

Passou a relatar sua descoberta em todas as consultas e a todos os Médicos que a atendiam porém nenhum deles pareceu convencido pelos argumentos da jovem desmemoriada. Até porque o distúrbio dela parecia algo totalmente novo, pois conseguia escrever com certa fluência mas não conseguia ler em Português e também perdera totalmente a capacidade de falar, ler e escrever em outros idiomas.E, como já relatamos, as pesquisas mais avançadas na época eram com cérebros de disléxicos já falecidos e os Médicos estudavam a diferença do centro de linguagem nos cérebros disléxicos versus não disléxicos. Como admitiriam a possibilidade de se “adquirir um distúrbio”? Parecia-lhes apenas um grande devaneio de uma adolescente desmemoriada...

Lou passou a escrever tudo que pensava, via, sentia, sonhava. Foi anotando diários e pequenos trechos que descobria nas leituras de amigos que escreveu sua primeira peça teatral. Eu inteiro, metade de mim... Era como Lou se sentia, inteira mas pela metade...

Após três anos passando por inúmeros testes e exames em que os Médicos apenas afirmavam não detectar nada físico e recusavam-se a aceitar a teoria que esta defendia, a de ter “adquirido uma dislexia”, (e estando ela totalmente desmemoriada), restavam a Lou de Olivier poucas opções, na verdade, só duas: Conformar-se em viver desmemoriada e desenganada para sempre ou buscar de forma independente alguma solução para seu caso.



Nesta época, já estava fazendo curso de teatro para auxiliar a recuperação de memória e já conseguia, com bastante dificuldade, ler alguns artigos e livros, embora esquecesse tudo assim que terminava de ler. A partir dai, desenvolveu um treinamento que consistia em gravar tudo que precisava lembrar, textos, artigos, livros e ouvir as gravações de forma contínua, inclusive, durante o sono. Este método deu origem ao que hoje ela aplica como Multiterapia. Obviamente, hoje, com muito mais bases científicas.

  

A década de 80 foi bastante controversa em relação aos estudos sobre dislexia, houve inclusive, um retrocesso visto que a hipótese dos hemisférios cerebrais maiores ou menores de acordo com a normalidade ou dislexia, a principio atribuída às pesquisas de Orton mas, como já citamos anteriormente neste artigo, na verdade foram fruto do experimento de  G. Mahec em 1951, foi alvo de novos estudos póstumos na década de 1980 e 1990, estabelecendo que "o lado esquerdo do planum temporale, (plano temporal constitui a superfície superior do giro temporal superior ao lobo parietal), uma região cerebral associada ao processamento da linguagem seria fisicamente maior que a região direita nos cérebros de pessoas não disléxicas; nas pessoas disléxicas essas regiões são simétricas ou mesmo ligeiramente maior no lado direito do cérebro". Como já citamos, em 2003 Lou de Olivier elucidou esse equivoco. Porém, em plena década de 80 e até 90 esta foi a linha mais pesquisada em relação à Dislexia. 

Em meio a este consenso dos especialistas, em 1981, Lou de Olivier  conseguiu recuperar a fluência de leitura em Português e, a partir dai, passou a pesquisar com mais intensidade, pois já não dependia de ninguém para ler para ela. Seguiu pelo bacharelado em Artes Cênicas e estudou também Musicoterapia, assim englobou os recursos da Musioterapia no método que já apresentava bons resultados com crianças e adolescentes portadores de autismo e Down.

Entre 1981 e 1996, ano em que publicou o primeiro artigo oficial sobre a Dislexia Adquirida, Lou passou por várias outras faculdades e cursos, destacando-se Psicopedagogia, Neuropsicologia, Psicanálise e muitos treinamentos em Psiquiatria estudando especialmente TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), Tourette, Paixões Obsessivas, Autismo e Dislexias em geral.



Em 1989, seguindo a linha de pesquisa de Galaburda e Kemper, surgiram os estudos de Cohen e outros sugerindo que o desenvolvimento cortical estivesse danificado durante os primeiros seis meses do crescimento fetal do cérebro nos indivíduos com dislexia. As pesquisas e estudos oficiais sugeriam fortemente a genética/hereditariedade e, os anos 90 iniciaram-se com grandes promessas para os disléxicos, afinal, com o desenvolvimento de técnicas de neuroimagem, (tomografia por emissão de pósitrons e ressonância magnética) vieram mais pistas sobre o processamento fonológico nos disléxicos... Ninguém sequer cogitava a possibilidade de um distúrbio adquirido não só num acidente mas também numa anoxia ou hipóxia perinatal (diminuição/ausência de oxigênio no cérebro durante o nascimento)

 Mas agora Lou de Olivier não era mais apenas uma jovem desmemoriada afirmando ser possível “adquirir um distúrbio” por “acidente”, ela já se posicionava como Psicopedagoga e Psicoterapeuta, com especializações, extensões universitárias e, acima de tudo, com sua vivência prática. E, com força e determinação seguiu publicando, palestrando, divulgando a dislexia adquirida não só no Brasil mas no exterior, especialmente Europa, onde escreveu em revistas impressas (Inglaterra) e eletrônicas (Portugal), sugeriu a muitos pesquisadores que verificassem a possibilidade de aquisição de um distúrbio e conquistou dois prêmios (Inglaterra).


A partir de 1996 foram nove livros didáticos (em todos citando seus estudos e descobertas em dislexia e dislexia adquirida), inúmeros os artigos em revistas e jornais impressos e eletrônicos e também entrevistas em rádio e TV, além de dois programas próprios: Lou e Você na TV (1999) e De tudo um pouco (2008/2009), programas estes voltados a esclarecer os diversos distúrbios, em especial, as dislexias e outros distúrbios de aprendizagem.

Entre 2011 e 2012 (precisamos confirmar a data exata que ocorreu) o Distúrbio da Dislexia Adquirida foi oficializado nos descritores da Saúde, codificado em Português, Espanhol e Inglês, sendo neste idioma classificado como Acquired Dyslexia

Hoje é possível encontrar a descrição de Dislexia Adquirida em diversos sites, artigos e em descritores oficiais como  National Library of Medicine - Medical Subject Headings onde se encontram, inclusive, variações da dislexia adquirida tais como Acquired Global Dyslexia, Acquired Spelling Dyslexia, Acquired Alexia entre outros que virão.


E isso só é possível hoje porque Lou de Olivier não se acomodou com um diagnóstico fatalista, ela foi estudar, pesquisar e não só encontrou a solução para sua dislexia adquirida como levou suas descobertas a todo o mundo, inclusive impulsionando outros pesquisadores. Lou de Olivier é um grande exemplo de superação e de vitória em todos os sentidos. Atualmente, Lou passa períodos mais e menos disléxicos como relata mas está sempre ativa, ministra palestras, participa de diversas atividades e prova que, com força e determinação, é possível vencer qualquer distúrbio ou barreira.


Saiba mais sobre Dislexia Adquirida Lendo os livros de Lou de Olivier:

Transtornos de Comportamento e Distúrbios de Aprendizagem;

Distúrbios de Aprendizagem e de comportamento;

Ambos editados pela WAK Editora.


Acesse publicações oficiais nos links a seguir:

Descritores da Saúde, clique aqui

National Library of Medicine, clique aqui

Livros de Lou de Olivier, clique aqui